A mídia em xeque
Este texto foi elaborado
como proposta de atividade da unidade 1 Televisão: contexto histórico-social e crítica, da disciplina Tecnologias Contemporâneas na Escola
3, do curso de Licenciatura em Artes Visuais – UNB. Na sua construção foram
observados os conteúdos apresentados no filme O quarto Poder, no documentário
Muito Além do Cidadão Kane e as trocas de experiências vivenciadas nos fóruns com
colegas de turma proposto na unidade.
O Quarto Poder, filme do diretor Costas
Gravas apresenta a história de um simples cidadão que tenta reaver seu emprego
e acaba se tornando vítima da mídia. O autor apresenta a mídia com extremo
poder de manipulação como poucos conseguem enxergar. O documentário Muito Além
do Cidadão Kane do diretor Simon Hartog, censurado no Brasil, apresenta a
emissora Rede Globo de uma maneira como os brasileiros não conhece.
Após
assistir ao filme o quarto poder é impossível manter a mesma visão a cerca da
TV, saber que ela é capaz de tudo por audiência, me fez rever meus conceitos. Ela
envolve o telespectador e aos poucos vai comandando suas vidas, enquanto alguns
se beneficiam milhares são atingidos em diversas áreas de uma forma persuasiva,
sem chance de defesa. São tantas as covardias e injustiças cometidas que fica
até difícil de enumerar.
Um
simples aparelho aparentemente utilizado para o entretenimento é na verdade um vilão
na vida do cidadão. Ele nos turbina de informações que precisam ser filtradas,
porém a grande maioria não percebe que os conteúdos que ele nos traz são cheios
de inverdades e precisam ser analisados de maneira criteriosa. Na maioria das vezes os conteúdos apresentados
invadem nosso sistema nervoso causando muitos estragos, faz uma verdadeira
lavagem cerebral. Poucas são as pessoas que conseguem se defender dos ataques
deste aparelho maquiavélico, uma grande parte das pessoas, principalmente as de
classe baixa, sem perceber se deixa levar, até parece que ele tem poderes hipnóticos!
A
grande parte das noticias que recebemos diariamente é do interesse de um
pequeno grupo de pessoas. A outra parte mesmo sendo maioria precisa se adequar
aos propósitos ditados geralmente por quem está por cima. Uma simples propaganda
é capaz de nos induzir aquilo que não é uma necessidade, ela coloca algo supérfluo
como se fosse primordial, essencial a vida e muitos acabam caindo na cilada que
ela arma. Podemos citar como exemplo de comerciais de carro, mesmo que as
pessoas não consigam adquirir o produto, elas passam a desejá-los.
Quanta
hipocrisia pode-se encontrar do outro lado da telinha! É para ficar revoltado,
ela induz, manipula, apresenta inverdades, sem se preocupar com a dignidade das
pessoas. Pela audiência vale tudo, quando digo tudo é tudo mesmo. A ética é uma
palavra que está distante do vocabulário de alguns setores da televisão, os bastidores
transforma vilões em mocinhos e mocinhos em vilões. As noticias são incrementadas
para dar audiência, para alcançar o tão apreciado IBOP, nem sempre com cuidados
necessários. Podemos pensar aqui nas coberturas de ações polícias, como
aconteceu no filme: O Quarto Poder, a mídia com o propósito de ter furos de
reportagens acaba interferindo de maneira negativa no desfecho da história.
E
quando falamos de poder e televisão não tem como deixar de lado a emissora Rede
Globo que esta no topo diante das demais emissoras como relata o documentário de
Simon Hartog, Muito além do Cidadão Kane. O vídeo relata a maneira como
a emissora consegue atingir milhões de pessoas mostrando seu desenvolvimento no
decorrer dos anos. Desenvolvimento este alcançado por um jornalista, Roberto
Marinho, que utiliza de uma grande força política para monopolizar a mídia brasileira.
Em
um cenário de capitalismo selvagem, onde os meios de comunicação são
politizados, em meio a miscigenação de raças e nacionalidades onde 25% da
população não sabe ler, a Rede Globo atinge uma audiência de 100 milhões de
pessoas. A TV que faz a cabeça do povo, e poderia ser utilizada para o bem
comum é politizada por troca de favores. Os favorecimentos políticos são trocados
por espaços na televisão, o astuto empresário não poderia desperdiçar nenhuma
chance de estar por cima.
Os
programas globais sempre foram lideres de audiência novelas noticiários,
programas infantis e dominicais recheados de besteirol conseguem ditar modas e
prender a atenção da grande maioria da população, mesmo mascarando a realidade.
As noticias que parecem como verdades absolutas fazem parte de um grande
esquema que envolve manipulação e omissão de fatos.
O
percurso que a emissora traçou regado de interesses particulares consegue até
hoje atingir e arrastar milhões de pessoas, manipulando-as sem nenhum pudor. Falamos
hoje em analfabetos funcionas nomeando assim as pessoas que lêem, mas não
entendem o que leram, não conseguem observar o que estar nas entrelinhas. E aos
telespectadores que aceitam tudo como verdades e não conseguem ter uma postura
crítica diante do que assistem como poderíamos chamá-los?
Embora
escutemos falar em modernidade e democracia, penso que em nosso país a
televisão não é nada democrática, infelizmente ela repassa aquilo que é
interesse de poucos, seja ele o dono da emissora, o empresário bem sucedido, o
jornalista boa pinta, o político corrupto, o escritor que toca nos sentimentos
do telespectador, o apresentador bonzinho. A verdade é que aquilo que é
interesse da grande maioria ocupa um espaço muito pequeno, então em nosso país
a televisão é extremamente manipulativa.
Vejo
a mídia como meio de comunicação de fácil acesso, assim ela é importante por
fazer parte da vida de milhões de pessoas. Por mais que a maioria dos conteúdos
apresentados pela televisão sejam manipulativos podemos tirar algo de bom. Tudo
depende da maneira de como encaramos aquilo que vemos e ouvimos, a mídia
quer manipular, cabe a nós receptores um comporta crítico diante
do que vemos e ouvimos as informações não podem ser tratadas como verdades
absolutas é preciso ir além, pensar nos bastidores.
Não
só com os conteúdos das mídias, mas em diversas áreas e situações da vida
devemos apresentar uma postura crítica, não podemos aceitar tudo o que nos é
repassado como verdades. Nós levamos muito tempo para conquistarmos nossa
liberdade, para alcançarmos este patamar de democracia que temos hoje. É cômodo
pesar e agir como todo, mas até quando vou viver na sombra do outro, enquanto
cidadão preciso ter vez e voz não posso ser um fantoche manipulado por outro
como se não tivesse vida própria, preciso ser aquilo que sou e não o que os
outros gostariam que eu fosse. Manter uma postura critica perante as mídias se
faz necessário para que não sejamos meros receptores e reprodutores mensagens.